IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO (CORURIPE – AL)

Endereço:

Coruripe, R. da Matriz

Notas Históricas:

A igreja em sua localização atual foi edificada em função da transferência da Matriz da Vila do Poxim para a Coruripe em 1866, povoação que foi elevada à categoria de vila neste ano, pela lei provincial nº 484 de 23 de junho (FIGUEIREDO JÚNIOR, 1869). Figueiredo Júnior em viagem pela Província de Alagoas, visita a então vila de Coruripe e lá já identifica três templos: “o Nossa Senhora do Rosário, o da Santa Cruz, que serve atualmente de matriz sob a invocação de S. José, e um outro grandioso ainda em construção (…)” (Ibidem, p.17). O templo em construção mencionado pelo presidente da província, refere-se à atual Igreja Matriz do município, pois, com a mudança da sede administrativa em 1866, muda também a sede da Matriz de Poxim para Coruripe. No entanto, devido a um grandioso incêndio em 1864, uma nova igreja começou a ser construída na Vila de Coruripe para tal finalidade. Em função da comercialização de madeira, Coruripe cresceu em importância, enquanto Poxim decaia, invertendo os papéis de subordinação. Izidoro (1901), afirma não haver registros exatos da primeira instituição da Igreja, mas há indicações documentais de que a construção original é anterior a 1773. Almeida (2017), em investigação histórica sobre a Igreja Matriz, remonta o registro cronológico de obras da edificação e relata como data da construção da Capela Primitiva, o ano de 1764 em terras doadas por Margarida da Nova, fato corroborado pela identificação de “Uma pedra quadrada, encontrada nos alicerces da Capella N. S. de Conceição, que antes de incendiada servia de Matriz da Villa de Coruripe” (IGHAL, nº 3, 14ª Sessão Ordinária aos 21 de Setembro de 1872, p.60), presente na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Com o incêndio, em 1864, a sede da Matriz, fica provisoriamente na Capela de Santa Cruz. Entre anos de construção com intervalos de interrupções das obras, o novo prédio foi inaugurado em 20 de julho 1887. Izidoro (1901) destaca que “a Matriz é um Templo bem construído, asseado e colocado em um alto donde se descortina a cidade.” (Ibidem, p.106). A igreja passa ainda por outras fases de construção, reformas e intervenções até chegar às feições atuais. Izidoro (1901) indica, à época de seus escritos, que a torre era revestida em azulejo. No entanto, após diversas reformas, a igreja passou a ter todas as superfícies externas com acabamento em pintura. Almeida (2017), em seu apanhado histórico, indica 1957 como o ano de remodelação da torre com retirada dos azulejos. Lemos (1999), aponta que os sinos da igreja Matriz e do Poxim foram fundidos por sineiros em Coruripe e que escravos da região fizeram as pias batismais em pedra de ambos os templos.

Identificação Tipológica:

Arquitetura Religiosa

Repertório Formal Estilístico:

A igreja possui caráter monumental em estilo eclético, com predominância dos elementos neoclássicos e torre sineira única. Foi implantada em porção de terreno elevada em aclive em sua extensão longitudinal, com visão privilegiada do entorno ao mesmo tempo em que se constitui como marco referencial na paisagem da cidade. À sua frente, situa-se extenso adro pavimentado em blocos intertravados com escadaria de acesso principal. Sua fachada principal é composta por duas porções referentes à nave e à torre sineira. Estes acessos são delimitados por pseudocolunas de base e fuste lisos e capitéis que acompanham a arquitrave do entablamento. O frontão é livre de ornamentos, tendo apenas um círculo em baixo relevo ao centro. É encimado por um cruzeiro vazado em metal. A torre sineira, possui um óculo vazado, que deveria abrigar um relógio nunca instalado (ALMEIDA, 2017). O coruchéu é sextavado com arremate em pináculos. A nave é acessada por três portas principais, enquanto a torre sineira tem uma porta como acesso. As portas com bandeira em arco pleno são em madeira, com duas folhas almofadadas e cercadura em massa. De forma alinhada, acima das portas, as janelas possuem vão com verga reta, cercadura em massa afastadas e balcões em ferro retorcido. As sobrevergas em arco acima das janelas, visualizadas em fotos antigas, foram retiradas após reformas. A fachada lateral direita é ritmada por janelas com iguais características, atualmente com esquadrias em vidro colorido e caixilho metálico. Já a fachada lateral esquerda é pontuada por janelas, com alturas e dimensões diferentes sem cadência definida. Nesta lateral, a capela do santíssimo constitui-se em um volume sobressalente. As paredes, de robusta espessura, possuem acabamento em pintura. A cobertura apresenta-se com estrutura de madeira e telha cerâmica do tipo canal, com cumeeira em posição perpendicular à fachada principal e acabamento dos beirais ora em frisos ora em eira e biqueira. Internamente, o ladrilho hidráulico do piso foi substituído por porcelanato e, atualmente o forro é em pvc. Conta com diversos nichos devocionais, altar lateral, altar do santíssimo e altar principal com retábulo, trabalhado com nichos, colunas com fustes canelados, capiteis trabalhados e ornamentos com motivos fitomórficos. O altar do santíssimo Sacramento, é trabalhado em madeira de lei. A igreja conta ainda com alguns túmulos de personalidades relacionadas a sua história.

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Referências Bibliográficas

ALMEIDA, Reberth Emannuel Rocha. Entre Histórias e memórias: Investigações arquitetônicas na Igreja Matriz de Coruripe. Maceió: Universidadade Federal de Alagoas, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, 2017 (Trabalho Final de Graduação).

FIGUEIREDO JÚNIOR, José Bento da Cunha. Viagens do Exmo. Sr. Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Júnior, mui digno Presidente da Província das Alagoas a cidade de São Miguel e Vila de Coruripe; as Comarcas de Camaragibe e Porto Calvo; Penedo e Mata Grande; ao Rio São Francisco até Piranhas e as Comarcas de Imperatriz, Anadia e Atalaia. Maceió: 1869. Reedição: Maceió: Grafmarques, 2010.

http://www.historiadealagoas.com.br/coruripe-a-cururugi-dos-caetes.html Acesso em: 20 de Agosto de 2016.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Alagoas – Coruripe. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=270230&search=alagoas|coruripe. Acesso em: 20 de Agosto de 2016.

IZIDORO, Francisco. Descripção geográfica, estatística e histórica. Municípios do Estado de Alagoas. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, Maceió, v. III, n. 18, 1º, p. 103 a 115, 1901

LEMOS, João R. Coruripe: sua história, sua gente, suas instituições. Maceió: GCL, 1999.

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas – IGHAL. 14ª Sessão Ordinária – Offerecimentos. Maceió, nº 3, p.60, 1872


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