IGREJA DE NOSSO SENHOR BOM JESUS DOS MARTÍRIOS

Em 3 de maio de 1833, o negro Manoel Luís Correia reunidos com outros na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, fundaram a Irmandade de Bom Jesus dos Martírios, cogitando a construção de uma nova capela para abrigar a recém-formada Irmandade. Três anos depois, através do provedor, José Antônio Rodrigues, iniciou-se a construção da capela, no mesmo local da atual igreja, na Praça dos Martírios ou Praça Floriano Peixoto. Este provedor teve ajuda dos fiéis, dos irmãos além de Jerônimo da Costa Belém, que estava à frente da construção. De acordo com CASTRO (1981), a capela era de alvenaria e alicerce de pedra feito com óleo de baleia (espécie de cimento, como costume da época), coberta de telhas e de madeira vinda do morro do Jacutinga, por trás da mesma.

Em 1864, a capela ameaçava ruir. Os homens humildes que ergueram a ermida foram desaparacendo e outros mais endinheirados, entre eles o Sr. Tibúrcio Alves de Carvalho, entçao provedor da Irmandade, deram continuidade à construção, erguindo o templo atual, em frente ao antigo. Mesmo incompleta, em 1869 já se realizavam cerimônias.

Em 31 de outubro de 1880 foi colocada a cumeeira e em 30 de outubro de 1881 houve a bênção solene do templo. Há indícios de que, até 1915 existiam vários ex-votos na entrada da igreja, expressão da cultura popular religiosa; de acordo com MÉRO (1987), foram retirados pelo “puritanismo de uma sociedade modernizada e elitista” (p.52). Dessa forma, a igreja foi tomada pelos brancos, aristocratizando-se, sendo considerada uma das mais belas de Maceió.

Sua arquitetura apresenta fachada eclética de traços neogóticos (com arcos apontados, semelhantes aos ogivais), adornos em alto-relevo ao estilo Rococó, além de azulejos portugueses e frontão triangular com três cruzes no tímpano; o retábulo do altar-mor possui linha neoclássica com fundo branco e frisos dourados. A nave condiz com o traçado colonial em forma de “T”, sendo a capela-mor estreita e profunda, de um lado a sacristia e do outro o salão de reunião. Em meados de 1961, os jornais noticiaram que criminosos estavam retirando ao azulejos portugueses da fachada. Em 1970 foram recolocados todos os azulejos da igreja, trazidas de Portugal pelo frei Caetano e colaboradores. Esse mesmo frei não aprovou dotar a igreja de iluminação moderna, sendo providenciadas lamparinas ao estilo antigo, o que corrobora a visão do estilo barroco.

m 1986, a prefeitura de Maceió veio a descaracterizar o templo, abrindo uma rua que passa em frente à essa escadaria. De acordo com LIMA JÚNIOR (1987), a escadaria da igreja dos Martírios ia até quase o centro da praça e com essa abertura da rua ficou totalmente destruída. Os oito lampiões existentes na frente da igreja desde a data de sua fundação em um dos lados foram conservados, o que não aconteceu com os gradis que davam acesso à igreja. Porém, em data não específica, esses lampiões foram roubados e o único deles localizado pelo então Secretário da Educação, Dr. Deraldo Campos, foi instalado novamente ao lado da igreja.

Tombada em instância estadual em 1988 (“Igrejas de Maceió, constituída pela Catedral Metropolitana, Igreja de Nossa Senhora do Livramento, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Igreja Bom Jesus dos Martírios e Capela de São Gonçalo do Amarante) pelo Decreto 33127 de 31/01/88, Processo n. 546/85, Livro de Tombo nº 2 – Edifícios e Monumentos Isolados. Informado no site da SECULT – http://www.cultura.al.gov.br/politicas-e-acoes/patrimonio-cultural/patrimonio-historico/bens-imoveis/patrimonio-edificado/arquitetura-religiosa

Você pode localizar esta edificação em Maceió através do Google Maps (clique aqui) e também visualizá-la no Google Street View (https://goo.gl/oPiIDf)!

Glossário

Capela-mor: capela principal onde fica o altar-mor de uma igreja.

Coruchéu: remate piramidal de uma torre ou campanário.

Ex-votos: quadro pintado, foto ou outro objeto que se oferecem em memória de promessa ou graça alcançada.

Irmandade (ou confraria): Sociedade com fins religiosos

Retábulo: estrutura ornamental de pedra ou talha de madeira que se eleva na parte posterior do altar

Púlpito: tribuna nas igrejas destinada Às pregações ou aos sermões do sacerdote

Tímpano: espaço interior do frontão, em arco ou triangular, assentado sobre o portal de uma igreja, catedral ou templo.

Referências bibliográficas

CASTRO, Guiomar Alcides de. A História da Igreja dos Martírios. Maceió – SERGASA, 1981.

COSTA, Craveiro. Maceió. 2ª Edição – Sergasa – Maceió, 1981.

LIMA JÚNIOR, Félix. Igrejas e Capelas de Maceió – Maceió: Academia Alagoana de Letras, 2002.

MÉRO, Ernani. Igrejas de Maceió. Edição do Autor – Maceió, 1987.

TIRAPELI, Percival. Arte colonial: barroco e rococó – do século 16 ao 18. – São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006. – (Coleção arte brasileira).


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