IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS

Segundo MÉRO (1987), a cruz foi a primeira fase da manifestação do catolicismo popular, seguida pelo oratório, ermida, capela e igreja. O autor diz ainda que na antiga Rua João Pessoa (atual Rua do Sol, Centro da cidade), no início do século XIX, existiu um cruzeiro que deu origem a uma capela e posteriormente a atual igreja, situada em frente à capela que foi demolida.

Há controvérsias em relação ás referências da data de organização da Irmandade do Rosário: 20 de fevereiro de 1829 (LIMA JÚNIOR, 2002) e 28 de fevereiro de 1828 (COSTA, 1981). Após demolição da capelinha primitiva, a construção do tempo atual terminou em meados de 1835. Em 1840 o então presidente da Província, Visconde de Sinimbu, indicara o consistório da igreja para servir de Assembléia Provincial, mas a Assembléia nunca se reuniu aí por achar o local inadequado para tal fim. Em 1864, Tibúrcio Alves de Carvalho resolveu substituir a construção de alvenaria e tijolo por outra mais forte e resistente. Essa reforma foi o ponta-pé inicial para transformar a pequena capela, num suntuoso templo.

De linha predominantemente neoclássica, a fachada apresenta dois aspectos que divergem do estilo: o frontão com curvas – aspecto do Barroco Brasileiro – e o tímpano, que ao invés de ter um nicho, tem uma janela, aspecto explicado por MÉRO (1987) como uma evolução do frontão. Uma das torres possui cobertura bulbosa com quatro coruchéuse revestida em uma técnica portuguesa chamada “embrechado”, que consiste do revestimento cacos de azulejos (os quais, segundo MÉRO, tratam-se de cacos de prato azul), confirmando a simplicidade da construção.

Com formas geométricas puras e paredes externas revestidas com dois tipos diferentes de azulejos, possui interior simples, chamando atenção apenas um lavabo de mármore que pode ter vindo de Portugal e o altar com detalhes neogóticos, indicando talvez que o anterior tenha sido demolido.

Em frente à igreja havia um cruzeiro de madeira com base de alvenaria, que desapareceu antes do fim do século XIX. Dentre outras modificações sofridas pela igreja pode-se citar: fechamento da abertura existente na torre esquerda, alterações na escadaria, adição do galo de metal na torre direita. Este último movia-se de acordo com o vento, mas está há muito tempo imóvel devido talvez à ação de ferrugem. MÉRO (1987) diz que desde a Idade Média o galo no topo das igrejas era comum, significando vigilância.

Tombada em instância estadual em 1988 (“Igrejas de Maceió, constituída pela Catedral Metropolitana, Igreja de Nossa Senhora do Livramento, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Igreja Bom Jesus dos Martírios e Capela de São Gonçalo do Amarante) pelo Decreto 33127 de 31/01/88, Processo n. 546/85, Livro de Tombo nº 2 – Edifícios e Monumentos Isolados. Informado no site da SECULT – http://www.cultura.al.gov.br/politicas-e-acoes/patrimonio-cultural/patrimonio-historico/bens-imoveis/patrimonio-edificado/arquitetura-religiosa

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Glossário

Consistório: compartimento para assembleia de cardeais.

Coruchéu: remate piramidal de uma torre ou campanário

Ermida: pequena igreja fora do povoado

Irmandade (ou confraria): Sociedade com fins religiosos

Tímpano: espaço interior do frontão, em arco ou triangular, assentado sobre o portal de uma igreja, catedral ou templo.

Referências bibliográficas

COSTA, Craveiro. Maceió. 2ª Edição – Sergasa – Maceió, 1981.

LIMA JÚNIOR, Félix. Igrejas e Capelas de Maceió – Maceió: Academia Alagoana de Letras, 2002.

MÉRO, Ernani. Igrejas de Maceió. Edição do Autor – Maceió, 1987.


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