IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GUIA

Foto recente da igreja Nossa Senhora da Guia

Situada no Trapiche da Barra, faz parte da Paróquia de São José. Existem rumores de que a igreja de Nossa Senhora da Guia seja a mais antiga da cidade de Maceió, não do município.

O Trapiche da Barra era parada para descanso, ainda em época colonial, de viajantes, soldados e correios vindos por terra, devido ao grande número de piratas, principalmente ingleses, franceses e holandeses, posteriormente. Eram viajantes de Pernambuco, Maria Madalena da Alagoas do Sul (posteriormente Marechal Deodoro), Penedo e Sergipe Del Rey. Dessa forma, formou-se um povoado, com residências de canoeiros e pescadores. Não se sabe ao certo quando foi lançada a pedra fundamental e nem quando foi concluída.

Segundo ALBUQUERQUE (2008) alguns moradores do bairro contam que a igreja se originou devido a uma tripulação de viajantes portugueses que prometeram à Nossa Senhora da Guia, a construção de uma igreja em sua homenagem se eles fossem guiados por ela a terra firme. A graça então foi alcançada e a igreja foi construída por escravos e sua imagem trazida de Portugal.

Erguida no fim do século XVIII, próximo ao Porto das Lanchas, nas margens do canal do Trapiche, a Igreja e a praça eram lugar de descanso de vários viajantes que ali paravam até conseguir o transporte fluvial para a capital, a antiga Santa Maria Madalena da Alagoa do Sul, hoje atual Marechal Deodoro.

Não se sabe se a ocorrência geográfica de “porto natural” fez surgir a ermida (igreja) ou se a situação da ermida neste local alavancou o povoamento e o porto surgiu em decorrência deste e de outros motivos. É certo, porém, afirmar que a povoação e, posteriormente, o bairro estão ligados ao templo da Guia. Ao redor da igreja foram surgindo casas simples, formando assim um pequeno povoado, que mais tarde iria se transformar no trecho do bairro atual.

A fachada principal apresenta linhas tipicamente barrocas, com enquadramento vertical composto por três cunhais discretamente salientes, sendo dois deles embasados por socos arrematados através de frisos horizontais. O terceiro localizado a esquerda da fachada, onde está a sineira, possui pináculo mais singelo, e não possui soco compondo o embasamento. O enquadramento horizontal é feito por uma cimalha retilínea servindo de embasamento para dois pináculos e um tímpano liso, compostos ainda por curvas e contracurvas das quais derivam duas volutas. No Ponto mais alto destaca-se a cruz. A torre à esquerda pela qual se tem uma entrada lateral possui um arremate composto por um pináculo com duas pequenas volutas, lá encontra-se ainda a sineira composta por dois arcos que suportam dois sinos de tamanhos distintos. Os seis vãos que compõem a fachada possuem cercadura em massa, quatro deles são em verga e arco abatido e possuem fechamento em madeira com almofadas singelas pintadas na cor azul, e os outros dois em arco pleno e não possuem fechamento. A cumeeira é em duas águas e perpendicular a rua, no acesso lateral a coberta é um pequeno talheiro (ALBUQUERQUE, 2008).

Tombada e integrada ao Patrimônio Histórico, Artístico e Natural do Estado de Alagoas (Decreto Nº 33.448, DE 23 DE MAIO DE 2014) – http://www.cultura.al.gov.br/politicas-e-acoes/patrimonio-cultural/patrimonio-historico/bens-imoveis/patrimonio-edificado/arquitetura-religiosa/igreja-de-nossa-senhora-da-guia

Você pode localizar esta edificação em Maceió através do Google Maps (clique aqui) e também visualizá-la no Google Street View (clique aqui)!

Glossário

Pináculo: cume de alvenaria de forma decorativa

Sobreverga: Peça ornamental que se coloca sobre a verga de portas, janelas etc.

Voluta: ornato enrolado em forma de espiral

Altar-mor: altar ou retábulo principal de uma igreja ou capela, posicionado na parede da capela-mor, onde se coloca o santo padroeiro

Capela-mor: capela principal, onde fica o altar-mor de uma igreja.

Cunhal: Faixa vertical saliente nas extremidades de paredes ou muros externos das edificações, abrangendo a base do coroamento.

Grimpa: Parte mais alta de um objeto ou edifício.

Cimalha: parte superior da cornija.

Referências bibliográficas

ALBUQUERQUE. Vanessa Montenegro. A “Igreja da Guia” e o elucidar de seu patrimônio material e imaterial no bairro do Trapiche da barra. Monografia (Trabalho Final de Graduação em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2008.

LIMA JÚNIOR, Félix. Igrejas e Capelas de Maceió – Maceió: Academia Alagoana de Letras, 2002.


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