UFAL UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – CAMPUS ARISTÓTELES CALAZANS SIMÕES

De acordo com Schlee (2003), a evolução do espaço universitário no Brasil pode ser compreendida a partir de momentos bem definidos. Inicialmente, seriam constituídas unidades acadêmicas isoladas, inseridas na cidade tradicional, o que está relacionado, no contexto alagoano, à implantação das primeiras faculdades em Maceió, entre as décadas de 1930 e 1950. Na outra ponta, o caminhar desse processo levaria à instalação de cidades universitárias isoladas, com a implantação de um núcleo acadêmico planejado, que se pretende autônomo, distante do centro urbano, o que surge evidenciado com o estabelecimento do Campus A. C. Simões da Universidade Federal de Alagoas. O ano de 1961 foi marcado pela criação da Universidade Federal de Alagoas, agrupando as diversas faculdades que funcionavam isoladamente na capital. Sua fundação tem como origem a mobilização em prol da federalização da escola, realizada em 1957 pelo então diretor da Faculdade de Medicina de Alagoas, Aristóteles Calazans Simões, o que acarretaria na união dos principais representantes das escolas superiores da cidade em torno da causa de uma universidade. Encaminhado o pedido à Brasília, este foi atendido em 26 de fevereiro de 1961 pelo Presidente da República Juscelino Kubitschek (SCHLEE, 2003), sendo o próprio Aristóteles Simões aclamado reitor da universidade. A UFAL nasceu no contexto da mobilização social empreendida nas décadas de 1950 e 1960 pelo governo Kubitschek em prol da expansão das universidades públicas gratuitas, até então restritas a um pequeno grupo de cidades e Estados do país. Adotando a educação como um dos grupos do plano de metas do governo, que tinha como lema “cinquenta anos em cinco”, o presidente pretendia expandir um modelo de universidade moderna no Brasil. É sob este aspecto que seria adotado um novo formato, de campus ou cidade universitária, propondo um sistema integrado de conhecimento, que adotaria os pressupostos arquitetônicos do Movimento Moderno em sua representação. Essa nova organização didática da universidade seria estabelecida com a “Reforma Universitária” elaborada entre os anos de 1965 e 1966, sendo oficializada em Alagoas por Decreto-Lei no ano de 1967 e passando a reger a construção da “Cidade Universitária” (AZEVEDO, 1982). Batizado em homenagem ao primeiro reitor da UFAL, o Campus A. C. Simões, seguiria modelo proposto na década de 1960 para a Universidade Federal de Santa Maria (RS), cujo projeto arquitetônico e urbanístico havia sido criado autoria dos arquitetos cariocas Oscar Valdetaro e Roberto Nadalutti (SCHLEE, 2003).

Para a UFSM, a proposta dos arquitetos previa um campus organizado em torno de um eixo estruturador que se desenvolvia em linha reta, do pórtico de acesso principal até a grande praça cívica, com as demais unidades distribuídas paralelamente ao eixo e agrupadas segundos setores acadêmicos (SCHLEE, 2003). O campus se configurava como uma cidade parque, isolado do centro urbano e organizado funcionalmente.

Assim, o novo empreendimento se estabeleceria quase na saída da cidade, no bairro do Tabuleiro do Martins, em terreno de 210 hectares, a 14 km ao norte do centro de Maceió, à margem da BR-101 que liga Alagoas a Pernambuco. Apresentava estrutura linear, marcada por uma avenida central, de mão dupla, cortando o Campus em duas faixas que iam de um extremo a outro do terreno, tendo os institutos, prédios menores de dois andares, dispostos na lateral dessa avenida, com fachadas de cobogós a sudoeste e fachadas envidraçadas a nordeste, numa disposição desfavorável ao clima local.

A construção dos prédios ocorreria paulatinamente. Datam desta época a faculdade de Economia (1967), hoje CHLA – Centro de Ciências Humanas Letras e Artes; a Imprensa Universitária (1968), atual gráfica e depósito; os 6 institutos centrais (Física, Geociências, Química, CCEN, CCSA, e o instituto de Filosofia e Ciências Humanas, hoje departamento de Matemática, concluídos entre 1967 e 1969) e o Centro de Pesquisas Tecnológicas CTC (1969), hoje NPT – Núcleo de Pesquisas Tecnológicas. No total, seriam 9 prédios construídos, mais o Hospital Universitário, funcionamento parcialmente (AZEVEDO, 1982) Os 6 institutos apresentariam uma mesma configuração arquitetônica padronizada, acima mencionada, com tipologia linear em dois pavimentos, de volume único prismático retangular, contendo eixo de circulação central que articula as atividades acadêmicas, de pesquisa, administrativa, serviços e circulação vertical. Os blocos estavam organizados de acordo com diferentes necessidades, evidenciando variações no uso do espaço. Eram fechados com paredes de tijolos, traziam as esquadrias envidraçadas e cobogós e tinham estrutura em sistema simples de vigas e pilares, estabelecidos a intervalos regulares. O Núcleo de Pesquisas Tecnológicas, hoje pertencente ao CTEC (Centro de Tecnologia), seria elaborado como um grande laboratório sem fechamentos, com pequenas salas de apoio. Locado em dois pavimentos, apresenta tipologia linear, com volumetria prismática retangular, tendo a presença de um volume menor que se comunica com o bloco maior por circulação horizontal.

Entre 1971 e 1979 seriam construídos o Núcleo de Educação Física e Desportos, com ginásio de esportes, piscina, quadras, pista de atletismo e o prédio que abrigaria a Faculdade de Educação Física, concluídos em 1974, a Biblioteca Central e a Cantina Universitária, ambas concluídas em 1978, no atual prédio do NDI – Núcleo de Desenvolvimento Infantil. É nesse período que seria criado o CTEC, que abrigaria as faculdades de Engenharia e Arquitetura. Esta última, sem prédio próprio no período, seria instalada no CHLA (AZEVEDO, 1982). Cumprido o primeiro plano diretor físico da UFAL, entre o reitorado de A. C. Simões e a gestão do Reitor João Azevedo (1972-1982), um novo plano diretor seria elaborado pela Universidade de São Carlos – UFSCAR em 1982, visando grandes alterações no espaço físico da UFAL, de modo a fornecer infraestrutura mais adequada aos novos cursos. Buscava-se manter o ideal de integração entre os campos de conhecimento, facilitando os fluxos entre os espaços, e agrupar as áreas semelhantes que se inter-relacionavam.

Apesar de dificuldades no aproveitamento dos prédios já instalados e do baixo orçamento, parecem ter sido seguidas algumas das determinações do plano quanto às características espaciais/construtivas, em edificações voltadas a atividades específicas, como reitoria e administração central, biblioteca e restaurante universitário. Igualmente na nova disposição em trama uniforme, baseada em retículas, conforme a área de conhecimento e nas melhorias efetuadas, como maiores fachadas voltadas a sudeste e noroeste, minimizando os efeitos da insolação.

Novos blocos como CTEC e CSAU passariam a configurar grandes módulos retangulares, agregados por adição, marcados pela horizontalidade, mesclando circulação com salas. Os blocos de Serviço Social, Administração e o Bloco 7, projetados para funcionar apenas como salas de aulas teóricas de apoio aos institutos, viriam a adquirir uso administrativo e de pesquisa, como salas para coordenação e laboratórios, funções variáveis. Apresentam tipologia linear em dois pavimentos, tendo agora, além do volume prismático retangular, outros dois volumes menores também retangulares, que se unem em composição por justaposição, com eixo de circulação central que articula as atividades acadêmicas, com os volumes adicionais ocupados com serviço e circulação vertical.

Agora mais adaptados às condições locais, aproveitando a ventilação e baixa insolação e com menor uso na área de insolação poente, têm aberturas de esquadrias envidraçadas na fachada sudeste e parede de cobogós, ou parede de tijolos com janelas altas nas fachadas noroeste, apresentando também proteção de beirais nas fachadas nordeste e sudoeste, sem tantas aberturas. A estrutura também segue um sistema simples de vigas, pilares e concreto armado, com malha de dimensões variadas para cada volume. Uma característica moderna nesses prédios é a presença da área de pilotis como espaço de convivência/lazer dos usuários, inexistente nos primeiros prédios analisados.

Você pode localizar esta edificação em Maceió através do Google Maps (clique aqui) e também visualizá-la no Google Street View (clique aqui)!

Referências Bibliográficas

AZEVEDO, João. Universidade Federal de Alagoas: Documentos Históricos. Maceió, Univ. Fed. Alagoas, 1982.

SCHLEE, Andrey Rosenthal. O plano piloto do campus da Universidade Federal de Santa Maria, RS. In: 5° Seminário Docomomo Brasil. São Carlos, out. 2003. Disponível em: