SEMINÁRIO ARQUIDIOCESANO DE MACEIÓ

Até o século XIX, a educação no Brasil era privilégio de poucos e geralmente associada a instituições religiosas católicas, que detinham a exclusividade do ensino. Assim, não é surpresa que os primórdios do ensino superior em Maceió venham a se definir a partir de classes ministradas pelo Seminário Diocesano.

Também Verçosa irá considerá-lo, ao apontar o Seminário como a primeira instituição de ensino superior no estado, de surgimento anterior à Academia de Ciências Comerciais de Alagoas e configurada como uma instituição educacional com características pós-secundárias, fatos que o levariam a afirmar: “é pelas mãos da igreja católica que nasce nas Alagoas a educação superior” (VERÇOSA, 1997, p. 25).

Inserido na leva das primeiras escolas vinculadas ao crescimento e maior complexidade da vida urbana na capital, o que se mostra representado em sua arquitetura de caráter eclético, o edifício do Seminário se estabelece como a principal marca de Dom Antônio Brandão, primeiro bispo da Diocese de Alagoas, que recebe do Papa Leão XIII o encargo de fundar, na recém-criada diocese, o seminário de ciências eclesiásticas, conforme determina o Concílio Tridentino. Ansioso em realizar sua primeira função como bispo de Alagoas, ele não tardaria em iniciar a obra (GOMES et al, 2004, p. 10).

Num primeiro momento, o Seminário se estabeleceria provisoriamente em Marechal Deodoro, entre os anos de 1902 e 1904, num convento franciscano onde hoje funciona o Museu de Arte Sacra do Estado de Alagoas. Teria como primeiro reitor o padre Jonas Taurino Ferreira de Andrade, iniciando suas atividades com cursos de Filosofia e Teologia.

Ainda em 1902 seria iniciada a construção de um novo prédio, pensado especificamente para abrigar o Seminário, no Alto do Jacutinga, atual bairro do Farol, em Maceió. Sua inauguração se realizaria no dia 15 de fevereiro de 1904 e no mesmo ano os seminaristas deixariam o convento para residir no novo edifício, em funcionamento até os dias de hoje.

Destaca-se a importância maior do Seminário para Alagoas ao evidenciar um núcleo de intelectuais que, reunido a outros da cidade, viria compor o sumo do conhecimento e cultura no estado. Assim, para Fernando Medeiros: “A intelectualidade católica formada entre as quatro paredes do Seminário, em estreito contato com a intelectualidade leiga, se consolidará na inteligência da sociedade alagoana no início do período republicano” (VERÇOSA, 2008, p. 122).

Em mais de um século de funcionamento, o seminário passará por algumas reformas e ampliações. A mais significativa será a construção, em 1955, do prédio da atual cúria diocesana, seguindo o mesmo estilo arquitetônico do Seminário e ainda de dois pavilhões para o curso superior, no mesmo ano, face ao aumento de vocações na arquidiocese. As obras teriam se desenvolvido com a ajuda dos seminaristas, como relatado por Gomes et al.: “Contam os seminaristas da época, que eles próprios trabalharam como serventes de pedreiros, dia e noite, para que a construção fosse finalizada” (GOMES et al, 2004, p. 10).

Também seriam construídos alguns anexos que fazem parte do funcionamento atual da instituição, como o pavilhão em forma de L de 1984, que serve de alojamento para os seminaristas e espaços como sala de jogos e TV e a enfermaria, por exemplo. Todo esse conjunto se destaca por não se mostrar em consonância com o antigo edifício. Nova reforma seria empreendida em 2011, para melhor localização da sala de pesquisa e troca de algumas janelas, segundo os seminaristas. Entretanto, as obras concorrem para descaracterizar o estilo arquitetônico, com a retirada de elementos que lhe são próprios.

A edificação apresenta elementos classicistas marcantes, que funcionam também como elementos estruturais (arcadas, colunas com capitéis) e traz uma grande valorização de materiais como a pedra e o mármore. A volumetria se destaca por transmitir uma idéia de imponência. Tais características já indicam particularidades do seu estilo arquitetônico – Neoclássico – despojado, sóbrio e simbólico:

A ausência dos exageros barrocos nos deixa contemplar a faixada [sic] do seminário com sobriedade e equilíbrio. O prédio, com suas linhas verticais nos deixa com sensação de uma busca, por parte do homem, do sagrado e do divino. Os portais, em arco, representam o divino; a torre que está sob o prédio é símbolo do esforço humano para encontrar o céu. (GOMES et al., 2004, 10).

A fachada principal possui um eixo axial formado pela torre da capela, é simétrica e composta por platibanda com friso, aberturas em madeira com bandeira radial e sobreverga, pseudocolunas, modulação, arremates. Essa simetria também é observada no paisagismo da parte esquerda do prédio. Acrescente-se que não existe paisagismo do lado direito da edificação. O programa funcional está distribuído em dois pavimentos. A planta possui formato retangular e é marcada pela solução com claustro, espacialidade central em área descoberta, própria dessa tipologia religiosa.

A capela principal tem nave única, planta com formato retangular, pé-direito duplo, coro e aberturas com vitrais coloridos e em arco, as quais seguem o mesmo estilo das demais aberturas do prédio.

Você pode localizar esta edificação em Maceió através do Google Maps (clique aqui) e também visualizá-la no Google Street View (clique aqui)!

Referências Bibliográficas

GOMES, Wendel Assunção et al. O Seminário de Maceió (1904 – 2004): uma história de 100 anos. Maceió, 2004.

VERÇOSA, Élcio de Gusmão. História do ensino superior em Alagoas: verso e reverso. Maceió: EDUFAL, 1997.


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