IFAL INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS – CAMPUS MACEIÓ

A história do ensino profissionalizante nas Alagoas encontra-se inteiramente relacionada a iniciativas de caráter nacional. Com a implantação das primeiras Escolas de Aprendizes Artífices, abrangendo as capitais de cada estado da federação, Maceió passaria a ser contemplada com sua própria instituição de ensino. As Escolas de Aprendizes Artífices serão criadas pelo presidente da república Nilo Peçanha através do Decreto nº 7566, de 23 de dezembro de 1909. Subordinadas ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, tinham como propósito qualificar artesãos, oferecendo aos jovens das camadas mais pobres alternativas de inserção no mercado de trabalho, provendo assim a educação profissional nas diversas unidades da federação brasileira (BONAN, 2010).

A inauguração da escola alagoana ocorreria no dia 10 de janeiro de 1910, no governo de Hermes da Fonseca, em âmbito federal, e de Euclides Malta, no estadual, tendo como primeiro diretor o engenheiro Miguel Guedes Nogueira. Instalada em imóvel inicial, seria depois transferida para prédio na praça Sinimbu, originalmente construído em 1851, tendo abrigado diversos usos, como o Quartel do Batalhão Policial e da Força de Segurança e ainda o Fórum. Apresentando configuração em pátio, o prédio seria adaptado, sofrendo diversas reformas.

Reputada como “escola para meninos de ínfima classe”, seus usuários se constituíam essencialmente de garotos pobres que desejassem aprender um ofício, com faixa etária variando dos 10 aos 13 anos, estendida até os 16 em 1918. Contava ainda com pequena porcentagem de operários e comerciários que visavam a se aperfeiçoar. A formação completa em qualquer uma das oficinas – originalmente, Sapataria, Marcenaria, Carpintaria, Funilaria ou Ferraria e Serralharia – durava 4 anos, podendo ser efetuada em até 6 anos. Os futuros operários ou contramestres recebiam ainda aulas do curso primário, aprendendo a ler, escrever e contar e também de desenho, obrigatório para todos os alunos. Um grande destaque nesta área seria o professor Rosalvo Ribeiro, um dos mais famosos pintores alagoanos, educado na Europa.

Com o tempo, a escola seria várias vezes reformulada, passando a receber diversos nomes, como Liceu de Artes e Ofícios, em 1937 e Liceu Industrial de Alagoas, no início da década de 1940, firmando-se, enfim, como Escola Industrial de Maceió, pelo Decreto nº 4127 de 1942.

Com a grande demanda de alunos, seriam necessárias novas instalações, de modo que em 1947 seria obtida a doação de um terreno situado na rua Barão de Atalaia, para a construção de um novo prédio, com projeto do renomado arquiteto Oscar Niemeyer. As obras seriam iniciadas neste mesmo ano, mas a mudança da escola para sua atual sede ocorreria somente em 1956. Segundo a pesquisadora Irene Bonan, “A escola mudaria sem estar totalmente construída e nunca foi inaugurada oficialmente” (BONAN, 2010, p. 72). Assim o novo complexo teria seus prédios terminados progressivamente.

No ano de sua mudança, a escola seria novamente renomeada, passando a se apresentar com o nome de Escola Industrial Deodoro da Fonseca, pela Lei nº 2972 de 1956. Porém, a década de 1960 traria outro tipo de mudanças: novos alunos, com a entrada de estudantes mulheres e também uma nova denominação, a de Escola Industrial Federal de Alagoas, pela Lei nº 4759 de 24 de agosto de 1965.

A estrutura física se adequaria às novas demandas. Assim, a partir de 1966 é implantado o teatro da escola e esta é aos poucos pavimentada. Também é feito o jardim frontal, com sistema completo de iluminação. São construídos ainda o pátio externo especial para solenidades cívicas, pátio para almoxarifado e garagem, salas de aula ocupando o antigo espaço do refeitório e da cozinha e o muro de proteção da escola, com portões e gradis de ferro confeccionados pelos alunos (BONAN, 2010).

A partir de 1968, a instituição seria rebatizada como Escola Técnica Federal de Alagoas, pela Portaria nº 331 do MEC. Como ETFAL, passaria a receber uma demanda cada vez maior de alunos do ensino médio, especialmente a partir da década de 1970, construindo uma reputação de escola de qualidade.

Inúmeras obras de construção e adaptação seriam feitas na época, instituindo os usos de cantina, galpão, prédios para o Departamento de Educação Física e almoxarifado, dependência para ensaios da Banda de Música da Escola, quadra poliesportiva, pista de atletismo e campo de futebol, laboratórios de Ensaios Tecnológicos, oficinas e laboratório de Eletrotécnica, salas para departamentos dos cursos e para o setor de Orientação Educacional, sala de Diretoria e miniauditório. Além destes, seriam implantados um gabinete dentário e sistema telefônico, o Bloco Administrativo e o auditório Oscar Sátiro, os dois últimos inaugurados em 1979.

A década de 1980 seguiria o mesmo ritmo intenso de construção e reformas. Em 1982 seria concluído o Centro de Multimeios, com duas salas de projeção e o laboratório de Física. O setor de saúde seria ampliado e teria início a construção do Bloco de Química. Em 1985 seriam reformadas as oficinas e construídas salas de projetos para cada curso. É instalada a casa de força e tem-se a urbanização interna da escola, bem como a restauração geral do prédio. Em 1986 se dá a edificação do bloco de Química e de outro para eletrônica.

No início da década de 1990 também seriam realizadas várias obras, envolvendo a reforma e construção de banheiros, espaço multieventos, salas, circulação e equipamentos, entre outros, levadas a cabo no ano de 1993.

É no ano de 1994 que a escola será reformulada como Centro Federal de Educação Tecnológica de Alagoas, pela Lei nº 8948, de 08 de dezembro, junto com a criação do Sistema Nacional de Educação Técnica. Mas é somente em 18 de março de 1999 que é assinado o Decreto de transformação da ETFAL em CEFET-AL.

As mudanças apareceriam no ano seguinte, com a realização do primeiro vestibular de tecnólogos de nível superior, nos dias 27 e 28 de fevereiro, para os cursos de Turismo e Lazer e Informática. Novas obras de reformas e ampliação acompanham esse momento, com o estabelecimento de arquibancadas e banheiros para a piscina, em 2001 e melhorias e informatização da biblioteca em 2002, entre outras que ocorreriam em 2005.

Finalmente, a ano de 2009 se estabelece como um marco na história da instituição, precisamente no momento em que esta completa um século de existência. Outrora Escola de Aprendizes Artífices, fundada para amparar os “desfavorecidos da fortuna”, passa a se configurar como Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, ou simplesmente Instituto Federal (IF-AL), evidenciando o grande desafio que é o ensino profissional e tecnológico. Mostra-se um embrião da atual Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, também instituída na Lei nº 11892 de 29 de dezembro de 2008. Nas palavras de Irene Bonan:

A transformação em Instituto segue na construção de um novo paradigma para a educação profissional, cuja concretização perpassa pelo diálogo com um passado que remete às Escolas de Aprendizes Artífices e passa por muitas mudanças, adaptando-se às leis e à própria modernização do ensino (BONAN, 2010, p. 104).

Atualmente, o IFAL configura um instituto de educação superior, básica e profissional, especializado na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino, contando com 50% das vagas destinadas a cursos técnicos e a outra metade voltada para cursos tecnológicos, licenciaturas e bacharelados.

Você pode localizar esta edificação em Maceió através do Google Maps (clique aqui) e também visualizá-la no Google Street View (clique aqui)!

Referências Bibliográficas

BONAN, Irene. Da Escola de Aprendizes Artífices ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas (1909/2009): cem anos de história do ensino profissionalizante em Alagoas. Maceió: EDUFAL, 2010.