ANTIGO COLÉGIO GUIDO DE FONTGALLAND

Até o século XIX, a educação no Brasil era privilégio de poucos e, no ensino privado, estava geralmente associada a instituições religiosas. Atestando o crescimento e maior complexidade da vida urbana na capital, as primeiras iniciativas particulares, passando a agregar uma imagem de qualidade de ensino (CASTRO; IMAGUIRE; 2006), seriam responsáveis pela educação da porção elitizada da sociedade alagoana. Este é o caso da Sociedade Colégio Guido de Fontgalland, destinada à educação masculina em Maceió.

Uma característica comum a estas escolas, aparentemente, seria o uso de prédios adaptados, originalmente construídos para outras funções. A exemplo do Guido de Fontgalland, cuja sede mais expressiva seria um casarão edificado num dos primeiros bairros da cidade.

A Sociedade Colégio Guido de Fontgalland foi fundada em 1939 pelo Monsenhor Luiz Barbosa e seu sobrinho, padre Teófanes Augusto de Araújo Barros. Ocupando uma modesta casa no Centro de Maceió, contava inicialmente com cinco professoras, voltada apenas a alunos do curso primário. Em 1940, após o aumento de demanda, mudou-se para uma imponente casa no bairro do Farol, transformando-se num colégio de internato e semi-internato para rapazes.

Na época de sua criação, o Farol, então conhecido como Jacutinga, se constituía como uma área muito valorizada e ocupada pela elite maceioense, abrigando inúmeras outras escolas de tradição. Tal fato se deve à localização privilegiada da área, situada numa parte alta, nas proximidades do núcleo central, contando com boa ventilação e ainda com belas vistas da cidade, debruçadas sobre a lagoa e o mar.

Como a edificação não foi originalmente concebida para a finalidade educacional, a escola não segue a simetria encontrada em outras mais antigas. O espaço compactado a diferencia dos tipos mais modernos de plantas estudadas pelo arquiteto Villanova Artigas, com espaços mais alongados. Apresenta novidades, como as salas para educação física que, mesmo pequenas, serviam para cumprir a norma governamental de uma sociedade saudável e ativa: “A revolução fez da ‘instrução pública’, educação, mais: deu à União o direito exclusivo de fixar as bases da educação física e intelectual dos brasileiros” (ARTIGAS, 2004, p.127).

Tendo sofrido inúmeras ampliações, a escola manteve várias de suas características originais, como o pé direito duplo e o porão alto, que se mostra levemente inclinado e sem os óculos característicos desse elemento. Sua fachada se mostra inalterada, destacando-se por sua simetria conformada no estilo eclético, de ascendência Neoclássica.

Organizado em dois pavimentos, o prédio apresenta três entradas principais, definidas por portas de abertura bipartida e esquadrias em madeira com vergas em arco pleno e detalhamento em massa na sobreverga central. Conta ainda com vãos laterais como entradas alternativas, acessados por escadaria com corrimão delimitado por balaustrada vazada em argamassa. A implantação do imóvel evidencia recuo frontal, possibilitando a existência de uma área de circulação arborizada, cujos portões são todos em gradil de ferro. O acesso principal direciona o visitante, de imediato, para as salas dos professores e diretoria e para a capela, fundamental por se tratar de um colégio católico.

O fim do primeiro pavimento é delimitado por um friso retilíneo que limita também a altura das pseudocolunas com capitéis sugestivos da ordem dórica. O segundo pavimento apresenta quatro portas bipartidas com verga reta e bandeira em arco pleno com vidraçaria multicolorida. O entablamento é composto por frisos com pingadeiras. A platibanda não possui ornamentação e o arremate é feito com uma sobreposição dos frisos valorizando os cantos, os cunhais. Ao centro, o frontão em arco abatido possui ornatos com motivos fitomórficos e pequenas volutas no cume. A fachada lateral esquerda da edificação possui cobogós quadriculados para ventilação e melhor iluminação do vão. No segundo pavimento, o peitoril é feito por cobogós losangulares.

Inicialmente voltado apenas para garotos, conforme mencionado anteriormente, o colégio passaria a funcionar depois com ensino misto. Atualmente, o local abriga uma das sedes do Centro de Ensino Superior de Maceió – CESMAC.

Você pode localizar esta edificação em Maceió através do Google Maps (clique aqui) e também visualizá-la no Google Street View (clique aqui)!

Referências Bibliográficas

ARTIGAS, João Batista Villanova. Sobre escolas. In: Caminhos da arquitetura. São Paulo, Cosac & Naify, 2004.

CASTRO, Elizabeth Amorim; IMAGUIRE, Marialba R. Gaspar. Ensaios sobre a arquitetura em Curitiba 2: Colégios e Educandários. Curitiba: [s.n.], 2006.

CESMAC Fundação Educacional Jaime de Altavila, disponível em: http://educarparaelevar.no.comunidades.net/index.php?pagina=1088888966 Acessado em: 10/04/2010.