ANTIGO COLÉGIO BATISTA ALAGOANO

Associadas, em sua maioria, a instituições religiosas católicas, as primeiras escolas surgidas em Maceió no século XIX abrangeriam um exemplar de gênese protestante, atestando a complexidade e o crescimento da vida urbana desenvolvida na capital.

Considera-se que a necessidade de um colégio protestante em Maceió terá como origem a discriminação sofrida por estudantes não-católicos em instituições católicas e públicas. Por isso seria realizada, na década de 1920, uma Convenção para a criação de um Colégio Americano Batista (MEIN apud GEIER, 2009), semelhante ao que funcionava na cidade do Recife.

É em 1923 que o Colégio Batista Alagoano se instala no bairro do Farol, inicialmente em uma única residência, no sítio da missão religiosa, que foi adaptada. A casa pertencia ao Cônsul alemão Hans Seeger, cujo nome, de difícil pronúncia, levaria a área a ser conhecida como “Zeiga” pela população (GEIER, 2009). O número inicial de alunos seria de 29, mas com o aumento da demanda cogitou-se a expansão para o sítio vizinho, construindo-se novos prédios, o que foi concretizado graças ao auxílio financeiro de irmãos norte-americanos.

Com o tempo, o colégio sairia do regime de externato de sua fundação para se tornar um internato de meninos que vinham do interior e pretendiam fazer magistério em Recife. Entretanto, o maior destaque alcançado junto à sociedade alagoana da época se daria pelo fato de ser o primeiro a oferecer internatos para ambos os sexos, tornando-se, posteriormente, a primeira escola religiosa mista do estado.

É o ano de 1925 que marca a expansão do colégio, abrigando o internato feminino, mas acredita-se que, quando da construção do alojamento masculino, já se pensava num internato misto, tanto que o primeiro prédio seria implantado no outro extremo do terreno, como forma de evitar a convivência entre estudantes de sexos opostos. Assim, é com o término das construções do complexo que o Colégio Batista Alagoano se tornará internato e escola para ambos os sexos.

As construções incluiriam espaços de aulas do ginásio, sendo reaproveitada a antiga residência, sede das primeiras turmas, que passaria a abrigar os quartos das meninas. Segundo informações in loco, os jovens eram divididos por faixa etária, afirmando-se ainda que a casa original corresponderia atualmente ao prédio da administração do colégio.

Esta constitui um edifício de evidente linguagem Neoclássica, com planta simétrica e fachada com platibanda frontal triangular, alusão ao frontão de um templo greco-romano, mostrando entablamento composto por cornija, friso e arquitrave, que falsamente se sustenta por falsas colunas de base quadrada e capitel dórico, destacadas em alto relevo. Encontra-se elevado por meio de porão alto, em atendimento ao Código de Posturas da época, que previa o afastamento da edificação em relação ao solo, e com isso os ambientes da casa são acessados por entrada lateral com escadaria. Para evitar a estagnação do ar no porão, há janelotas arqueadas com gradil em ferro, sendo as demais janelas retangulares, destacadas por molduras em argamassa, contendo esquadrias em madeira, sem ornamentos ecléticos.

O maior prédio do complexo educacional é o bloco de salas de aula do ginásio, que se situa no centro do terreno e já apresenta uma linguagem arquitetônica que busca romper com o Ecletismo. Trata-se de um edifício que possui uma fachada bem limpa, de linguagem Neocolonial, com resquícios de frisos e marcada pela ausência de arcos nas janelas, apresentando uma configuração térrea em “U”, com salas ao redor de um pátio central e forte presença do telhado, portando grandes beirais que avançam sobre o pátio e são sustentados por pilares criando grandes loggias, espaços sombreados que servem à convivência e recreação dos alunos. Apresenta também alvenaria em cantaria e platibanda cobrindo as águas de grandes inclinações, de modo a evitar que a chuva recaísse diretamente sobre o passeio, algo também previsto na legislação da época.

O complexo foi dotado, ainda, de campo para educação física, evidenciando o pensamento inovador da escola em conformidade com conceitos da pedagogia mundial surgidos já na década de 1920.

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Referências Bibliográficas

GEIER, Vivian Kruger. Marcos do patrimônio batista em Maceió. Trabalho Final de Graduação, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2008.