ANTIGA FACULDADE DE ODONTOLOGIA

Muitas vezes, a história das instituições de ensino superior em Alagoas se mostrará repleta de altos e baixos, um caminho verdadeiramente tortuoso antes de se tornar bem-sucedido. É o caso da Faculdade de Odontologia, cuja iniciativa pertence à mesma seara que deu origem a inúmeras outras escolas na década de 1930.

Mais precisamente, as primeiras tentativas nos remetem ao ano de 1932, no rastro do êxito da criação da Faculdade de Direito, tendo sido capitaneadas, inclusive, pelo mesmo idealizador desta instituição pioneira, o funcionário do Liceu Alagoano, Agostinho de Oliveira. Chamava-se então Faculdade Livre de Odontologia e Farmácia, por abrigar ao mesmo tempo o curso de farmácia. Porém, sem muitas condições de funcionamento, essa escola teria desaparecido sem deixar marcas apenas dois anos depois de seu surgimento (VERÇOSA, 1997, p. 49).

Nova tentativa de fundação seria protagonizada pelo mesmo Agostinho de Oliveira, desta vez em 1935, sob a denominação de Faculdade de Farmácia e Odontologia. Sem sede própria, a escola percorreria diferentes endereços na região central, como o prédio da antiga Escola Normal, situado na rua João Pessoa, então rua do Sol, estabelecendo-se, posteriormente, na rua do Macena, atual Cincinato Pinto e enfim no prédio da Faculdade de Direito, funcionando durante o período noturno (VERÇOSA, 1997, pp. 49-50).

Esteve submetida a Faculdade de Odontologia a diversas aberturas e fechamentos no decorrer de sua história, fracassos ocasionados pela falta de estrutura e prédio próprio para seu funcionamento, mas também pela inexistência de candidatos habilitados a ingressar num curso superior (VERÇOSA, 1997, p. 50).

Porém, mesmo com os diversos problemas citados, a escola seria oficializada em 1937, rebatizada de Academia de Farmácia e Odontologia para Escola de Farmácia e Odontologia. Nesse mesmo ano, formaria sua primeira turma, com 30 dentistas e 15 farmacêuticos-químicos, sendo estadualizada pela primeira vez, fato que deu mais credibilidade à escola, uma vez que os estudantes passaram a acreditar na eficácia jurídica de seus futuros diplomas (VERÇOSA, 1997, p. 64).

Não demorou muito e a Faculdade foi desestadualizada, devido ao grande número de cargos públicos acumulados pela maior parte dos docentes da instituição, situação ilícita perante a legislação vigente. Os docentes, para não prejudicar a reestadualização da escola, que estava sendo reivindicada pelos estudantes e recém-formados, tiveram o elegante gesto de se exonerar. Tal fato, somado à organização dos alunos e formados, levou o governo a devolver à escola as vantagens de estadualização (VERÇOSA, 1997, pp. 67-68).

Apesar disso, o estabelecimento não resistiria a sua difícil situação, agravada com o tempo e em 1941 seria fechado pelo Interventor Federal após uma inspeção externa (VERÇOSA, 1997, p. 71).

A escola só reaparecerá em 1955, com a criação da Faculdade de Odontologia de Alagoas, seguida da criação da Faculdade de Odontologia de Maceió, em 1956. Ambas teriam vida curta, fundindo-se em 1961 para sua incorporação quando da criação da Universidade Federal de Alagoas, tornando-se uma das seis unidades que a comporiam. Posteriormente, as instalações do curso seriam transferidas para o Campus A. C. Simões, criado na década de 1970 pela UFAL.

O prédio passaria a abrigar novos usos, como o Museu de Historia Natural – MHN, criado em 1991, que permanece em funcionamento, junto com os Laboratórios Integrados de Ciências do Mar e Naturais – LABMAR, o Laboratório de DNA Forense e a Casa Ecológica, associada ao MHN e à Usina Ciência. Essas novas funções alterariam em grande parte o partido utilizado originalmente na edificação, cuja planta se encontrava disposta no terreno em forma de L, contando ainda com um pátio central, configuração desfeita pela adição de novos blocos e a utilização do pátio como estacionamento. Destaques ainda para a fachada de geometria simples, arrematada em platibanda cheia, tendo a entrada principal com grade de ferro, bem como para o uso de esquadrias sequenciadas de madeira e vidro e outras em ferro e vidro, junto com venezianas e uma marquise que se estende sobre as aberturas do pavimento superior.

As características modernas apresentadas pela antiga Faculdade de Odontologia evidenciam sua construção no período de maior modernização arquitetônica do estado de Alagoas. Para Amaral e Ferrare (2009, p. 15), em sua análise da arquitetura moderna no estado, “fica evidente a estreita relação entre a cultura moderna e a tradição local, sinalizando um regionalismo saudável que captou influências externas sem descartar as potencialidades locais, a ponto de imprimir em diversos detalhes, traços da identidade de seu povo”. A presença de elementos construtivos de tradição luso-brasileira na edificação, como venezianas e cobogós, atestam isso.

Você pode localizar esta edificação em Maceió através do Google Maps (clique aqui) e também visualizá-la no Google Street View (clique aqui)!

Referências Bibliográficas

AMARAL, Vanine Borges e FERRARE, Josemary Omena Passos. A Arquitetura Moderna em Maceió, Alagoas: Perspectivas de Preservação. In: 2º Seminário Docomomo N-NE. Salvador, jun. 2008.

VERÇOSA, Élcio de Gusmão. História do ensino superior em Alagoas: verso e reverso. Maceió: EDUFAL, 1997.


DOWNLOADS
Projeto