ANTIGA ESCOLA MODELO

Antes de ser academia de Letras, o prédio, construído em 1879 para a instalação da Escola Modelo, sediou o Tribunal de Justiça e o Grupo Escolar D. Pedro II. Na década de 1960, o governador Lamenha Filho fez a doação à Academia Alagoana de Letras que, embora criada em 1919, ainda não tinha sede própria, funcionando em salões de instituições afins.

As primeiras iniciativas públicas na área da educação em Maceió serão constituídas no século XIX, vinculadas ao crescimento e maior complexidade da vida urbana na capital. Neste contexto assistiremos à fundação da Escola Modelo da Província, depois Primeiro Grupo Escolar do Estado, projetos voltados para a elite, que detinha o privilégio de formação à época.

Construída ainda durante o Império, como a primeira escola pública de instrução primária da província das Alagoas, a instituição seria apropriada pelo regime republicano e transformada em grupo escolar, manifestação que caracteriza o início das preocupações educacionais do novo governo. Este se valerá do estilo eclético, considerado inovador em relação às antigas práticas arquitetônicas do Brasil colônia, inclusive por sua origem européia, adotando-o na composição dos espaços, o que ajudará a firmar a imagem da Maceió capital enquanto cidade moderna.

Edificado em 1879 durante a gestão de Cincinato Pinto da Silva, o prédio da escola viria a integrar, posteriormente, o conjunto situado na praça Marechal Deodoro, que se firmaria como umas das principais praças de Maceió, utilizada inclusive para o lazer e a contemplação das famílias tradicionais. Constituindo-se como importante praça cívica, estabelecida em homenagem ao proclamador da República, nela será adotada a configuração paisagística mais em voga, típica da praça republicana ajardinada, em que o agenciamento evidencia preceitos como ordem, ritmo e simetria, alcançados, por exemplo, pela disposição centralizada da escultura do marechal e ainda pelo alinhamento em eixo entre as edificações do grupo escolar e do Teatro Deodoro.

Posteriormente, o estabelecimento seria renomeado como Grupo Escolar Dom Pedro II, abrigando ainda a sede do Tribunal Superior de Justiça de Alagoas entre os anos de 1892 e 1912. Doado pelo Governo do Estado de Alagoas em 1966 à Academia Alagoana de Letras, seria restaurado em 1999 pela arquiteta Zélia Maia Nobre, fundadora do curso de Arquitetura da UFAL, servindo à nova função, que permanece até hoje.

De estilo eclético com ascendência Neogótica, a edificação está implantada em lote de esquina, evidenciando leve recuo frontal e a parte lateral voltada para a rua, possuindo uma entrada de acesso. Construída elevada com relação ao nível da rua, apresenta porão alto ornado com losangos em relevo sobre as aberturas, além de duas escadarias de acesso nas suas principais fachadas. Esse arranjo atende ao Código de Posturas vigente na época, que determinava o distanciamento em relação ao solo, prevenindo quanto à umidade.

As fachadas evidenciam a acentuada simetria do imóvel, inerente a sua planta e se mostram demarcadas por pseudocolunas dotadas de capitéis sugestivos da ordem jônica, que determinam o ritmo visual da disposição das aberturas, interrompido no centro de modo a enfatizar a dramaticidade, valorizando este ponto focal. Possui portões e peitoril das janelas em gradil de ferro, sendo que estas apresentam ainda vergas em arco ogival e esquadrias com folhas de madeira do tipo veneziana e vidro com bandeira fixa.

O entablamento é composto por frisos e pingadeiras e apresenta ornatos em massa na forma de losango. Sobre ele, aparecem frontões triangulares e lisos nas laterais e um frontão liso em arco na fachada principal, todos ostentando placas ovais em mármore com inscrições indicando desde o nome do governador que inaugurou a obra, seu ano de fundação e o engenheiro responsável, até dizeres positivistas típicos do início da República Brasileira, sendo a do frontão arqueado a frase “o povo à infância”. Sobre o frontão curvo encontra-se ainda uma estátua de Minerva, enquanto os cunhais são arrematados por bustos.

No entorno da atual Academia Alagoana de Letras são encontradas edificações de uso empresarial e comercial, dentre as quais estão presentes outros exemplares do patrimônio arquitetônico de Maceió, como o Teatro Deodoro e o Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, ambos projetos do conceituado arquiteto italiano Luiz Lucarini, além da própria praça Deodoro, com a qual se liga diretamente.

O prédio, que teve como um de seus alunos ilustres o escritor alagoano Lêdo Ivo, encontra-se atualmente inserido numa Zona Especial de Preservação Cultural – ZEP, conforme dispõe o Código de Urbanismo e Edificações de Maceió, Lei Municipal N.º 5.593 de 08/02/2007.

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Referências Bibliográficas

AMARAL, Vanine Borges. Expressões arquitetônicas de modernidade em Maceió: uma perspectiva de preservação. 2009. Dissertação (Mestrado em Dinâmicas do Espaço Habitado) – Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2009. 174 p.

PREFEITURA MUNICIPAL DE MACEIÓ. Código de Urbanismo e Edificações de Maceió, Lei Municipal N.º 5.593 de 08 de fevereiro de 2007.


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