ESCOLAS

Até o século 19, as tipologias arquitetônicas de escolas tiveram sua base em monastérios e nos conventos medievais, sendo que os núcleos educacionais externos ao contexto urbano e inseridos na natureza surgiram com a insuficiência das cidades medievais diante da crescente população estudantil, empregando uma tipologia que se generalizou e se estendeu até inícios do século 20, que consiste no sistema de blocos fechados com pátios internos. Com o êxodo rural e crescente aumento na população do século 19, centenas de escolas foram construídas, e a partir daí, passaram a ser identificadas como obra “social” do Estado. Porém, com a cultura vitoriana, a educação, bem como o espaço arquitetônico escolar, foram intimamente associados à repressão, com claras inspirações no “panóptico”, de Jeremy Bentham, estudado por Michael Focault em sua obra “Vigiar e punir: o nascimento da prisão”.

Nesse período, configurava-se o novo cenário urbano e republicano no Brasil, sendo que o papel da escola passou a ser o do aprimoramento moral, racional e científico do ser humano, atendendo a novas necessidades pedagógicas que incluíam transmitir o ideal de “ordem e progresso” da nação. Ao mesmo tempo em que era construída uma identidade nacional , a escola deveria refletir o ideal daquele momento histórico tanto em seu projeto pedagógico quanto em seu aspecto físico, sendo que para isso passou por uma reforma espacial.

Os processos de reajustamento e remodelação urbana impostos pela nova ordem disciplinar republicana reivindicavam uma cidade moderna (entendida na época como saneada, embelezada e saneada) e nesse contexto, as instituições escolares passaram a adquirir importância no momento em que os centros administrativos e econômicos foram consolidados.

Segundo o arquiteto Vilanova Artigas, “a escola é consequência da vida urbana – equipamento da cidade industrial”. Assim, a escola teve nas ruas das cidades modernas o papel de também ensinar hábitos que ajudassem a interpretar a nova realidade, propiciando uma nova leitura do espaço urbano.

Em Alagoas, a rigor, as primeiras iniciativas de formação educacional datam de 1719, enquanto ainda a capital da província era a Cidade das Alagoas, e são representadas pelas missões franciscanas que se instalaram núcleos nas cidades de Penedo e Marechal Deodoro, antiga Cidade das Alagoas para lecionar gramática para os filhos dos moradores.

No início da década de 1870, com uma população total de 310.000 habitantes, Alagoas contava com apenas 12% das crianças e jovens na escola. Os primeiros bacharéis de Alagoas foram filhos de senhores de engenho. Eram poucos os que dispunham de recursos econômicos na província e adquiriam o título de doutor nas faculdades de Recife, Salvador ou até do Rio de Janeiro visando ocupar as lacunas dos cargos públicos que exigiam pessoal intelectualmente apto e assim poderiam gerenciar as propriedades familiares.

O elenco identificado como o inicializador do processo educacional em Maceió é representado por:

  • Grupos escolares e colégios religiosos, apresentando os princípios norteadores das primeiras instituições escolares do Brasil Republicano:
  1. Antigo Grupo Escolar Dom Pedro II, outrora “1º. Grupo Escolar do Estado”, posterior Escola Modelo e atual Academia Alagoana de Letras, localizado no Centro.
  2. Antigo Grupo Escolar Diegues Júnior, primeiro grupo escolar do Estado de Alagoas, fundado em 1912 no Bairro Pajuçara, funcionando atualmente com 13ª. Coordenadoria de Ensino do Estado de Alagoas;
  3. Antigo Grupo Escolar Ladislau Neto, situado no Bairro do Jaraguá;
  4. Colégio Bom Conselho, fundado em 1876 como “Asilo de Órfãs” (outrora Asilo Nossa Senhora do Bom Conselho), no bairro do Bebedouro;
  5. Antiga Sociedade Colégio Guido De Fontgalland, atual CESMAC, no Farol, fundada em 1939;
  6. Antigo (e já demolido) Colégio Batista Alagoano, que em 1919 foi a primeira escola religiosa mista de Maceió;
  7. Colégio Nossa Senhora do Amparo, que funciona desde sua construção em 1932 na Praça Centenário
  8. Colégio Santíssimo Sacramento, construído em 1904 e na época destinado à educação feminina.
  • A gênese do Ensino Superior em Maceió, que passou da ministração de aulas avulsas em prédios existentes a projetação de espaços de salas para aulas em partidos arquitetônicos individualizados. Observa-se o entendimento coletivo de que, antes da Universidade Federal em Alagoas, não se processara o Ensino Superior na capital Maceió. Embora seja assim imaginado por muitos, registros historiográficos revelam que ocorreram várias iniciativas instituídas que cumpriram esse papel, e deixaram alguma contribuição no Conhecimento Científico disseminado na Maceió dos séculos XIX a XX. Durante muitas décadas da formalização de algumas das escolas fundadas, o ensino fora ministrado em acomodações adaptadas em outros espaços arquitetônicos projetados para finalidades outras, por vezes também de ensino, o que não favoreceu ao pleno desempenho de alguns cursos que, somados ainda a falta de recursos, não conseguiram se estabelecer. O elenco identificado como o inicializador, desse processo educacional com perfil de Ensino Superior em Maceió, corresponde às seguintes unidades educacionais, indicadas com os respectivos anos de fundação organizacional:
  1. Seminário Diocesano (1904), considerado a primeira escola de ensino Superior de Alagoas com os cursos de filosofia e teologia
  2. Primeiras faculdades: Faculdade de Direito (1930), Ciências Econômicas (1954), Medicina (1951), Filosofia (1952), Engenharia (1955), Farmácia e Odontologia (1955), Escola Técnica de Comércio (1954), surgida em 1916 como Academia de Ciências Comerciais de Alagoas. Essas primeiras faculdades fazem parte de um período de “modernização e modernidade”, edificadas concomitantemente ao processo de fundação da instituição universitária, integrando a imagética do Centro da capital de Alagoas;
  3. Antigo Campus Tamandaré, primeiro Campus da Universidade Federal de Alagoas, que em 1973 ocupou a antiga Escola de Aprendizes Marinheiros e lá funcionou apenas por três anos, quando a ameaça real à salubridade causada pela implantação de uma grande indústria na região obrigou sua remoção, resultando na construção do
  4. Campus A. C. Simões;
  • Dois complexos educacionais de grande repercussão no país:
  1. Centro Educacional de Pesquisa Aplicada – CEPA, projeto inaugurado em 1958 de autoria do arquiteto baiano Diógenes Rebouças em parceria com Fernando Machado Leal, inspirado no modelo de escola-parque idealizado por Anísio Teixeira durante seu período de atuação à frente do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP) e que se tornou um dos maiores complexos educacionais do país;
  2. Instituto Federal de Educação, edificação atribuída a Oscar Niemeyer, cuja origem remonta os anos de 1909, com a Escola de Aprendizes de Artífices de Alagoas.