Patrimônio arquitetônico de Alagoas será visto em 3D

Manuella Soares – Jornalista Ascom/Ufal

Cada bairro de Maceió tem suas características próprias. Uns com um toque de história, outros com belezas naturais, alguns são lembrados pelo crescente comércio ou acelerado desenvolvimento urbano, enquanto outros ainda, pela simplicidade das residências ou exuberância de modernas construções. Para retratar esses aspectos, o RELU – Grupo de Estudo em Representações do Lugar, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Federal de Alagoas, desenvolve uma pesquisa que vai dimensionar as edificações de interesse técnico, artístico e histórico do Estado.

O estudo deu origem ao projeto “Portal de Arquitetura de Interesse Histórico de Alagoas”, hospedado no servidor da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), mas em fase de lançamento, envolvendo professores e alunos, que saíram às ruas com olhares diferentes e habilidades técnicas capazes de permitir, por meio da internet, uma fácil visualização e uma compreensão detalhada do que representam os locais. “Vão ser disponibilizados modelos tridimensionais, fotos e, informações históricas e técnicas sobre edificações importantes eleitas pelo nosso grupo, locadas em princípio só em Maceió, mas nós queremos futuramente trabalhar com outras cidades também”, adianta a professora Adriana Capretz, coordenadora da pesquisa.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) apoia a ideia desde o ano passado, com liberação de verba para troca de computadores e aquisição de livros e materiais necessários para realizar os procedimentos no grupo de pesquisa onde o trabalho é realizado. A Ufal a Fapeal também colaboram com a disponibilização de bolsas de iniciação científica para os alunos de graduação participantes. Mas boa parte do trabalho que será aproveitado vem desde 2009, quando o grupo já fazia levantamentos em algumas edificações.

A “Arquitetura Escolar” é o tema inicial

Para organizar o estudo e dinamizar o acesso, o portal foi separado por temas e, o primeiro deles a ser disponibilizado é “Arquitetura Escolar”, que está em processo de finalização, contando com 16 subtítulos que incluem edificações isoladas, complexos educacionais e grupos escolares. Serão apresentados os modelos tridimensionais e a pesquisa histórica de prédios como o Cepa, a Ufal, o Ifal, as antigas instalações do Campus Tamandaré, da Reitoria e dos cursos de Medicina, Direito e Odontologia, além do Seminário de Maceió, do Colégio Americano Batista e de grupos de escolas públicas.

De acordo com Capretz, os bolsistas vão ao local, medem e desenham tudo, em seguida, partem para o estudo espacial e estilístico sobre a edificação. “Por que a planta tem formato retangular? Por que tem um pátio no centro? Por que é simétrica? Por exemplo, no período da república, era obrigatório ser tudo simétrico, porque a simetria indica ordem, assim como o lema ‘ordem e progresso’, as escolas tinham símbolos, a bandeira nacional, animais poderosos, etc. Então os grupos escolares serviam para que as crianças se acostumassem aos horários, às rotinas, para no futuro serem trabalhadores obedientes e produtivos. Com isso, a gente faz o estudo histórico da escola, quando tem início a separação de turmas por idade, sexo, etc.”, explica.

Além de analisar a parte arquitetônica, o grupo faz o estudo urbanístico que envolve cada edificação. Dessa forma, é possível situar o leitor ao contexto histórico e compreender, inclusive, o processo de crescimento da cidade, onde há um passeio virtual que aguça a imaginação para reviver as construções dos teatros, das praças e de todos os monumentos que compunham o espaço.

Segunda fase em andamento

Finalizando os últimos ajustes para disponibilizar o estudo da arquitetura escolar, os pesquisadores e os bolsistas iniciam a segunda fase do projeto entrando nas casas da população. “Vamos estudar residências que tenham valores históricos, técnicos ou artísticos relevantes”, adianta a professora Adriana. O grupo já fez uma pré-seleção das edificações residenciais e vilas operárias que serão estudadas. Os levantamentos já foram iniciados com o resgate de antigos trabalhos que estão na biblioteca da Ufal e no centro de documentação do Relu. Esta fase vai seguir uma linha cronológica de estilos que passam pelo Ecletismo, Art Déco, Modernismo, entre outros.

Outros projetos estão interligados ao portal, como a criação do “Projeto de Educação Patrimonial da Cidade”, onde será feito um material gráfico para distribuir nas escolas públicas, com a intenção de divulgar o portal. A coordenadora Adriana Capretz está animada com a ideia de incentivar o interesse pelo patrimônio arquitetônico de Alagoas. “O trabalho na escola é para que as crianças conheçam, acessem e baixem as maquetes. Ficando no portal, vai para a cidade, para o mundo”.